sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A REAÇÃO À CRISE DO CARVÃO 1980-1990

A REAÇÃO À CRISE DO CARVÃO 1980-1990


André Roldão

Charlene Cardoso professor-Tutor Externo
Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI
Curso História HID24 – Prática do Módulo IV
22/11/2016



RESUMO


O presente artigo tem como principal objetivo registrar um dos momentos mais críticos da economia de Criciúma e região com a queda da produção de carvão na última década do século XX. Além disso, cumpre entender como as empresas e o poder público reagiram à crise, as saídas encontradas e a mudança de eixo econômico que se verificou concomitante à queda acentuada de postos de trabalho daquele setor.

Palavras-chave: carvão, crise econômica, vestuário


1 INTRODUÇÃO


A história econômica de Criciúma é marcada pela exploração do carvão mineral, sendo principal motriz de geração de riqueza, emprego e renda, durante décadas. De uma pequena cidade de imigrantes europeus com 27.753 habitantes em 1940, para 81.451 em 1970. Um crescimento de 193% em 30 anos, tornando-a polo regional e superando cidades mais antigas como Laguna, Tubarão e Araranguá.
Tal crescimento populacional se deu por conta a incrível geração de empregos gerados pela produção de carvão e os negócios fomentados a partir de sua exploração. A partir da segunda metade da década de 1980 teve um abrupto revés econômico com o fechamento de minas e demissões oriundas da queda de produção. A cidade se viu mergulhada em crise social, com fatores externos e internos, tanto para a queda como para a superação que se viu em tão poucos anos.
Assim, fatores históricos, culturais, sociais, geográficos entre outros, torna-se um prato cheio para historiadores e jornalistas desejosos de entender fenômenos como o de Criciúma.
Neste trabalho vamos analisar números da economia e empresariais das últimas décadas do século passado. Também foram feitas entrevistas com quem esteve no centro da crise e como buscaram soluções no curto e no médio prazos para amenizar os impactos sociais, principalmente, para com as classes de menor poder aquisitivo.


2 O CICLO DO CARVÃO


“A descoberta do carvão foi pelo Sr. Giácomo Sonego, em suas terras, já no ano de 1904, sendo usado em ferrarias da localidade para aquecer fornos.”[1] Porém, pesquisas em torno do carvão do Estado de Santa Catarina deram seus passos quase um século antes da exploração iniciar. “Já em 1832 o naturalista Friedrich Sellow fez as primeiras anotações sobre o carvão catarinense.”[2] Apesar disso, somente em 1915 se dá o início da exploração do carvão mineral em Criciúma, pressionada pela demanda da Primeiro Guerra Mundial, de forma muito rudimentar, com a primeira mina no bairro Pio Correa (posteriormente veio a ser conhecida como a “Mina Modelo” de visitação pública) e sem uma estrutura adequada de transporte, que começou a ser construída com a estrada de ferro Dona Tereza Cristina de 1920-1930. Em 1925, vindo a emancipação do município, desmembrando-se de Araranguá, a população era estimada em 8.500 habitantes.
A diversificação industrial da economia de Criciúma estabeleceu novo ciclo de investimentos a partir da década de 1940. Porém, o carvão manteve-se como principal fonte de riquezas com a necessidade urgente de fornecimento por conta da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Com recursos abundantes da mineração surgem as cerâmicas. Em “iniciou em 1947, com o surgimento da cerâmica Santa Catarina Ltda” que “em 1973 adotou a marca de Azulejo Cesaca. (...) Em 1966 foi fundada a Cecrisa, no Bairro Próspera, iniciando sua produção de azulejo em 1971.”[3]
Segundo Filho (1997)
Num primeiro momento, a indústria carbonífera cumpriu seu papel, como indústria motriz de menor proporção, impulsionando o desenvolvimento da metalúrgica, atacado de ferragens e outras pequenas atividades urbanas. Num segundo momento, a indústria cerâmica será a indústria motriz de maior proporção que impulsionou outras atividades industriais, além de novas metalúrgicas, fornecedores de insumos como esmaltes, indústria química, embalagens e transportadoras.[4]
Já na década de 1970 surge outra indústria no cenário criciumense: as confecções do vestuário que “também desempenham este papel de impulsionadoras, proporcionam o surgimento de lavanderias, bordadeiras, serigrafias e outras atividades paralelas”.[5] Esta década foi igualmente marcada por mais um boom do carvão com a crise do petróleo de 1973. Vindo nova crise do petróleo em 1979 a produção de carvão ganha novo e derradeiro impulso.
Criciúma experimenta o auge do ciclo do carvão em meados da década de 1980. Em 1985 obtém a maior produção de CPL (carvão pré-lavado) da história da região carbonífera com 4,3 milhões de toneladas. Filho (1997) registra o processo que culmina no fechamento das minas em Criciúma:

Cabe ressaltar que a partir de 1986, o governo anunciava constantes avisos de que a política nacional do carvão iria mudar: em 1986 começou a reduzir os subsídios ao transporte do carvão e em meados dos anos 80 aumenta substancialmente a importação do carvão metalúrgico.[6]

Como fonte de energia termoelétrica o carvão também se tornou alternativa para a base energética do Brasil, assim como as usinas termonucleares. De iniciativa do governador Jorge Lacerda surge, em 1957, Complexo Termelétrico Jorge Lacerda.

A Jorge Lacerda foi pioneira em Santa Catarina e na região Sul (era a maior geradora na década de 1960). Nos primórdios, a energia era gerada e distribuída de forma isolada. Mas a fundação das subsidiárias da Eletrobras, criada em 1962 pelo presidente João Goulart, permitiu que, ao longo do tempo, essas usinas independentes formassem um conjunto, chamado de sistema elétrico interligado, o atual SIN (Sistema Interligado Nacional). Por isso, o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda acabou incorporado à Eletrosul em 1972, passando ao controle privado – da Tractebel Energia GDF Suez – no final da década de 1990, de acordo com a política de privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).[7]

Assim, finalmente com a abertura do mercado ao produto internacional promovida pelo presidente da república, Fernando Collor de Mello, a produção cai para 1,1 milhão de toneladas em 1990. “O que manterá a economia da região nos trilhos será a diversificação no parque fabril, como a cerâmica, o vestuário, o calçado, o setor químico, o metal-mecânico e o de molduras”.[8]

3 MÃO-DE-OBRA

A demanda por mão-de-obra advinda da exploração do carvão atraiu gentes de todas as partes, verificando-se um crescimento vertiginoso da população de Criciúma e região. Tal massa trabalhadora era de baixa qualificação e de fácil mobilidade migratória por não possuir posses ou deixarem famílias para trás.
Em 1925 Criciúma tinha cerca de 8.500 habitantes. Já na década de 1940 chegou a quase 28 mil pessoas, saltando para mais de 80 mil habitantes nos anos de 1970. Evolução diretamente ligada ao carvão e à diversificação dos novos investimentos nos setores cerâmicos e de vestuário, juntamente com as empresas surgidas a partir desses seguimentos. No quadro a seguir o crescimento populacional a partir de 1940, Wikipédia[9]:

A variação populacional está diretamente ligada à geração de emprego e renda. No caso criciumense, entre as décadas de 1920 e 1980, vê-se claramente a relação com a produção de carvão. Já nas décadas a partir de 1990 a densidade demográfica estabiliza aos patamares da média nacional. No gráfico a seguir esta relação produção/emprego/desemprego torna-se clara, quando verifica-se que em 1996 a taxa de emprego fica abaixo da anotada em 1970.
Gráfico 1 – Trabalhadores diretos nas minas de carvão da região carbonífera entre 1970 e 1996.

A constituição da cidade movidos pelos dos vários setores ligados ao carvão, cerâmica ou vestuário, tais como moradia, comércio em geral, passa a sustentar a demanda conforme é atingida pelo crescimento econômico e populacional. Um dos exemplos é o surgimento de conjuntos habitacionais como da Cidade Mineira (1957) e o da Mina 4 (atualmente bairro Renascer), durante a gestão de José Augusto Hülse (1983-1988).


4 A REAÇÃO À CRISE

O fechamento das minas de carvão em Criciúma, no início da década de 1990, trouxe mudanças drásticas para o Sul de Santa Catarina. Diante da crise abrupta, dada a importação de coque metalúrgico pelo governo Federal, mais barato e de melhor qualidade calorífica, as empresas do setor viram-se sem outra saída senão pararem sua produção. Tal condição resultou em milhares de desempregados. Diante do momento, quando “o número de mineiros empregados diminui de 12.000 para 3.500, o faturamento das empresas passa de US$ 13 milhões a US$ 6 milhões por ano (Gazeta Mercantil, 4/4/1995) A produção carbonífera de Criciúma decresce de 420.000 a 180.000 toneladas no período”[10], ações emergenciais precisavam ser tomadas.
O presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Criciúma e Região (Sindivest), à época, Diomício Vidal, reuniu empresários do setor para discutir a situação, pois ninguém estava a salvo, mesmo que a confecção tivesse seu maior faturamento com vendas para outras regiões do país. No encontro foi decidido que as confecções priorizariam a contratação de mão-de-obra das famílias atingidas. “Ficamos muito preocupados com as famílias e precisávamos fazer alguma coisa para amenizar o impacto do desemprego em alta e em tão pouco tempo”, disse Vidal em entrevista a este autor. Naquele momento haviam cerca de 200 empresas ligadas à entidade. O resultado pode ser conferido no gráfico 2, a seguir:

GRÁFICO 2 – Número de trabalhadores no Sul catarinense nos principais setores produtivos em 1994


Concomitante à decisão do sindicato, foi verificado um incremento no número de facções, pequenas e micro, que somente montam as peças para outras empresas como detentoras de marcas (Wrangler, Staroup, outras), e para grandes redes varejistas como a Renner, por exemplo. Da mesma forma cresceu o número de lavanderias industriais, tendo a Acqua Lavanderia como pioneira em meados da década de 1970. Porém, não há registros no sindicato possíveis de serem consultados atualmente.
A estrutura da indústria da confecção vivia um bom momento com grande crescimento. Em 1978, quando surgiu o Sindivest, estavam constituídas apenas 26 confecções em Criciúma. Com o incremento no setor surgiram, além de lavanderias, empresas de insumos para confecções como a Dorlytex, que fornecia elásticos. Nessa época a região contava apenas com a loja de máquinas industriais Peruchi. A partir dos anos de 1980 uma rede de assistência técnica e de fornecedores estava instalada e crescendo juntamente com o segmento. Essa base forte fez com que Criciúma e região superasse o impacto do desemprego nas minas de carvão e seus efeitos não tenham sido tão drásticos.
Prefeito de 1989 a 1992, Altair Guidi, entrevistado por este autor, tomou ações rápidas em parceria com o governador Vilson Kleinubing. Iniciou a pavimentação de ruas com lajotas que absorveu parte da mão-de-obra. Junto com a Associação Empresarial (Acic) incentivou as mulheres a profissionalizarem-se e, como suporte, construiu creches, como a do bairro Boa Vista e no Lapagesse, Centro. “O governo Federal errou ao não preparar a região para o fechamento das minas como fez o governo da Alemanha com o mesmo caso naquele país”, disse Guidi. Para o prefeito a decisão de Collor de Mello atingiu toda a macrorregião Sul, pois o Lavador de Capivari, bem como a Indústria Carbonífera Catarinense (ICC), que produzia insumos a partir do minério, fecharam as portas. Criciúma, sendo polo regional ficara no centro do problema. Contudo, observou Altair, esse momento resultou em mais diversificação da economia local e seu efeito foi positivo com o tempo.



3 CONCLUSÃO

A história de Criciúma revela o quanto circunstâncias inimagináveis podem dar rumos a uma cidade. De uma descoberta acidental, mesmo que posteriormente teria vindo a ser descoberto, o carvão mudou completamente o cenário local e regional. Advindas as grandes guerras mundiais (1914 e 1939) a demanda teve impulso vertiginoso. Não bastasse tais acontecimentos as crises do petróleo de 1973 e 1979 exigiram ainda mais. E veio a estabelecer-se como base energética na produção de eletricidade a partir da década de 1950 com o Complexo Jorge Lacerda.
O município, capitaneando a região, soube superar momentos de intensa crise. No espaço de uma década, apenas um setor, o do carvão, chega a 15 mil trabalhadores e cai para menos de três mil. A ação coordenada de absorção de mão-de-obra e da diversificação da indústria estabeleceram um novo ciclo virtuoso com a cerâmica, o vestuário, indústria química e tantas empresas ligadas a estes setores.
O presente trabalho fez por registrar este momento da economia que afetou direta e indiretamente os cidadãos de Criciúma e região, bem como seus agentes políticos a mostrar o vigor produtivo que permeia o Sul de Santa Catarina.



REFERÊNCIAS


PIMENTA, Margareth de Castro Afeche. Flexibilidade produtiva e vida urbana no sul catarinense. 2003. unuhospedagem.com.br/revista/rbeur/index.php/anais/article/download/2003/1966

FILHO, Alcides Goularti; NETO, Roseli Jenoveva. A indústria do vestuário. Criciúma: Letras Contemporâneas, 1997.

Wikipédia. Criciúma. Acesso em 19 de novembro de 2016. https://pt.wikipedia.org/wiki/Crici%C3%BAma#Evolu.C3.A7.C3.A3o_populacional

Notícias do Dia. Memória de Santa Catarina - Termelétrica Jorge Lacerda rumo aos 50 anos. Acessado em 18 de Novembro de 2016. http://ndonline.com.br/florianopolis/coluna/carlos-damiao/memoria-de-santa-catarina-termeletrica-jorge-lacerda-rumo-aos-50-anos

Câmara de Vereadores de Criciúma. Evolução Urbana e Ciclos Econômicos. http://www.camaracriciuma.sc.gov.br/historia-criciuma-ver/evolucao-urbana-e-ciclos-economicos-12




[1] Câmara de Vereadores de Criciúma.
[2] FILHO, Alcides Goularti; NETO, Roseli Jenoveva. 1997. Pág. 28.
[3] Op cit Pág. 25
[4] Op cit Pág. 25
[5] Op cit Pág. 26
[6] FILHO, Alcides Goularti; NETO, Roseli Jenoveva. 1997. Pág. 33.

[7] Notícias do Dia. Memória de Santa Catarina - Termelétrica Jorge Lacerda rumo aos 50 anos. Acessado em 18 de novembro de 2016. http://ndonline.com.br/florianopolis/coluna/carlos-damiao/memoria-de-santa-catarina-termeletrica-jorge-lacerda-rumo-aos-50-anos

[8] FILHO, Alcides Goularti; NETO, Roseli Jenoveva. 1997. Pág. 34.
[9] Wikipédia.
[10] PIMENTA, Margareth de Castro Afeche.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

EXPERIÊNCIA DE ABORTO

Há quase 10 anos servi de amparo para duas amigas que ficaram grávidas sem desejá-lo. Uma de transa de festa de sábado, a outra de um cara com o qual não vislumbrava um relacionamento sério. Ambas me procuraram com o desejo de abortarem.

A primeira teve a bebê e a segunda abortou, mas veio a ser mãe anos depois num relacionamento que perdura até hoje e está muito bem, com um trabalho social de amparo à mães carentes maravilhoso. A que seguiu a gravidez sumiu e dela nada sei.

Não fui juiz, não as condenei por quererem. Apenas ponderei as opções e ajudei conforme podia. Como homem fui pai dedicado e sei que não posso interferir no coração de uma mulher, tampouco sou cartesiano, como se certo e errado fosse como preto e branco.

Houvesse um desejo SUPERIOR de proteção da vida as crianças só nasceriam em lares estruturados, de muito amor e em condições de receberem o melhor da vida. Mas a realidade aponta para a mera humanidade e suas loucuras. Não há verdade suprema que evite o sofrimento, a morte e uma vida mergulhada na escuridão. O tal ''Deus no controle" não existe em se tratando de uma vida vir ao mundo e muito menos de permanecer por aqui até a velhice.

Não ouso supor mundos melhores e ideais. Cabe à minha consciência lidar com fatos e em como a vida é, não como eu gostaria que fosse.

O ABORTO EM NÚMEROS
A queda de mais de 50% na criminalidade nos EUA verificada a partir dos anos de 1990 se deu porque a Suprema Corte liberou o aborto em Fevereiro de 1973. Nos cinco Estados que liberaram antes daquele ano a queda se deu antes. Todas as variáveis foram analisadas para aqueda dos índices, mas somente o aborto explicou-a. Tudo descrito no livro que li este ano E MUDOU MINHA CONCEPÇÃO SOBRE O ASSUNTO, chamado "Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta", de Stephen J. Dubner e Steven Levitt. Aceite os fatos. É melhor que tergiversar sobre o que seria ideal.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

NOTA DE ESCLARECIMENTO - PMC

NOTA DE ESCLARECIMENTO
A respeito do Projeto de Lei 54/2016 do Poder Executivo, protocolado na Câmara de Vereadores no dia 21 de novembro, a Prefeitura de Criciúma vem a público esclarecer que:
- Trata-se de um texto construído a quatro mãos entre Prefeitura e Ministério Público Estadual e tem como objetivo tornar mais transparente a contratação de pessoal temporário. Caso aprovada, define a Lei que a contratação de pessoal que não integra o quadro efetivo do Município (aprovados por concurso público) não seja realizada apenas com análise curricular – como acontece atualmente –, mas, sim, com a aplicação de provas. Tal processo já é realizado na contratação de professores Admitidos em Caráter Temporário (ACTs) e corre na mais perfeita normalidade.
- A intenção da Administração Pública Municipal e do promotor Diego Rodrigo Pinheiro, da 11ª Promotoria de Criciúma, foi formalizada em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC 06/2015 00000945-0) com sugestões do próprio Ministério Público para evitar casos de pessoalidade nas contratações.
- Buscar a regularização da contratação de pessoal conforme determina a Constituição Federal de 1988 não significa que a Prefeitura de Criciúma irá se valer de lei apenas para fazer contratações desnecessárias. Isso não ocorrerá e é leviano quem levanta tal hipótese. Amplamente divulgado por toda a imprensa e repercutido em toda a sociedade, a Prefeitura precisou este ano exonerar mais de mil funcionários que estavam exercendo suas funções baseados em leis consideradas inconstitucionais, alguns profissionais já trabalhando no serviço público municipal há mais de 20 anos. Precisaram ser exonerados trabalhadores de todas as áreas, mas principalmente da Saúde. Foram médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos de enfermagem, higienizadores, operadores de máquinas, serventes, e isso provocou um déficit no atendimento ao público. Para normalizar os serviços, a Prefeitura realizou Concurso Público com vagas para todas as áreas e está, de forma responsável e com o único objetivo de não prejudicar o cidadão, reconstruindo seu quadro de servidores ao chamar os aprovados no certame.
- Por fim, a Prefeitura de Criciúma reitera e enfatiza que o Projeto de Lei 54/2016 tem um único objetivo: tornar cada vez mais transparente a contratação de servidores públicos. Qualquer tentativa de desmoralizar o trabalho realizado pelo Ministério Público e pela Administração Municipal é irresponsável e será rechaçado.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

ABORTO, PERDÃO, DEUS E A IGREJA

Provocado pelo irmão querido, jornalista Aderbal Machado, venho fazer algumas considerações sobre ABORTO e perdão:

Ô inveterado André Roldão, o que achas disso? Quer dizer que eu posso matar quantos quiser, friamente e sem motivo, pedir perdão todas as vezes e posso ser "perdoado"? É assim ou entendi errado?

Mano, tudo isso seria verdade se não fosse mentira. Mas, tratemos da mentira como se fosse verdade e dela tentemos tirar algum sentido moral.
Antes algumas perguntas:
- Preciso ser perdoado pelos homens?
- Que ligação há entre o perdão humano e o divino?
- Deus perdoa a partir do pedido de perdão ou ele é capaz de entender a relação causa/efeito/arrependimento?
- Se agi sob os mandos da cultura preciso de perdão?
- Deus pode ser ofendido para que tenhamos que pedir perdão? Se sim, ele não é Deus - um Ser que se basta a si mesmo.

Uma mulher que faz aborto precisa que a Igreja saiba? Acho que não.
Um Deus que não é capaz de evitar a morte de um ser inocente não é Deus.
A concepção foi permitida por ele, mas não a sobrevida...
Houvesse controle divino sobre quem nasce somente bons nasceriam. É o que imagino.

Não seria a mão divina, a mesma que outrora mandou matar (VT), a força para que uma mãe livre-se de um bebe? Conhece instinto mais forte que a maternidade?

Abaixo a postagem do Machadão no Facebook sobre o tema:

Voltando ao perdão do aborto, pregado pelo Papa: invocaram 70 x 7. Vamos lá (aBiblia.org):
O evangelista Mateus narra o fato do pecador incorrigível, caso extremo, que leva o afastamento de Deus. Mateus quer mostrar um fato contrário dos que normalmente são comuns: Existência do perdão e reconciliação entre os membros da comunidade. A situação da narrativa nesta passagem bíblica: "Se teu irmão tiver pecado...", O que fazer? O evangelho mostra a parte ofendida falando com o pecador, testemunhas e a comunidade também. A chamada questão da correção fraterna. Outra questão aparece. Até quantas vezes uma pessoa deve ser perdoada? Pedro, tomando a iniciativa dá uma resposta generosa: "Até sete vezes?" Entretanto Jesus corrige Pedro e surpreende a todos quando responde: setenta vezes sete.
Como entender setenta vezes sete?
Não se deve interpretar ao pé da letra este número 7, devemos entender a partir do simbolismo, que ele traz em si e nos dará uma explicação. O número 7 na Bíblia, tem significado de totalidade, plenitude, complementação. Lembro ainda os setenários do Apocalipse: sete taças, sete Igrejas, sete selos, sete trombetas, etc ... Se entende o número sete também a partir da trindade (Pai, Filho e Espírito Santo como sendo o número 3 e o 4 seria os pontos cardeais: norte, sul, oeste, leste totalizando 7. Número perfeito, une o divino com o terreno.
No Antigo Testamento encontramos no livro do Gênesis (Gn 4,24b), o número sete multiplicado por ele mesmo, como no caso de Lamec, vingado por setenta vezes sete, aqui os número não significa excesso, mas na totalidade das ações.
O Novo Testamento também confirma para o número sete a ideia de totalidade como plenitude. No evangelho de Mateus (Mt 15,34.37). são sete os pães e alguns peixes que são multiplicados por Jesus e sete os cestos de pedaços que sobraram O que deve ser apreendido deste trecho é que ao cristão não cabe colocar limites ao perdão.
Concluindo:
O evangelho nos adverte (quando fala em setenta vezes 7) de que o perdão de Deus, e inesgotável, mas está condicionado a nossa disposição interior de saber perdoar os outros. Mostra-nos também que até o perdão concedido por Deus pode ser revogado, se não soubermos, como Ele, perdoar a quem nos ofende. Jesus quer nos ensinar que a misericórdia divina, receberão somente para aqueles que souberem ser misericordiosos com os outros.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

XENOFOBIA, RACISMO, MACHISMO E HOMOFOBIA

PENSEMOS UM POUQUINHO...

A despeito de eu e você desejarmos que as pessoas vivam em união, respeito e sem agressões, a realidade depõe contra tudo neste sentido. Basta ver os que pregam o fim das diferenças serem os mais radicais em acentua-las, em deseja-las e, pior, em vive-las, condenando o preconceito dos demais, não o seu próprio. Os demais replicam velhos chavões românticos. Além disso, com séculos de civilizações ao redor do globo é de se supor que a solução já deveria ter sido engendrada. Coisa que nem perto estamos.

Há alguns anos meu pensamento sobre globalização, limites, grupos étnicos, e coisas do tipo ía na ilusão do fim das barreiras entre as pessoas. Mudei! Hoje vejo como fundamental que os grupos possam exercer o seu direito de serem grupos, de se auto-excluírem dos demais e manterem aqueles fios que interligam pessoas como a idade, roupas, esportes etc. O diferente sendo diferente e vivendo sua diferença, quiçá, sem ser perturbado.

O que vemos é a não aceitação do diferente sob o ponto de vista de ser errado ou coisa que o valha. Por todos os lados da questão as ideologias, religiões, torcidas, são coisas que realçam a oposição ao diferente. O exemplo mais demente dessa relação vem da Esquerda, pois quem não é ''esquerda'' é homofóbico, xenofóbico (e são antissemitas!), machista (ser feminista é virtude para os tais) e racista (mesmo que exaltem grupos negros ao invés da humanidade). E repetem esse clichê à exaustão!

Seria inofensivo torcer para um time de futebol. Porém, não é. Agressões de toda a sorte aos trabalhadores que entram em campo por seu sustento, às infindáveis conversas inúteis sobre quais times são melhores, haja visto que um grupo de jogador é sim melhor que outro, mas não por causa do escudo que defendem, mas pelas contratações bem-sucedidas de quem comanda e dependendo do dinheiro disponível. Um grupo é melhor que outro, inclusive, pela afinidade desenvolvida com o treinamento. A camisa não ''entra em campo''. É a vontade, arranjos técnicos e táticos, e o treinamento que entram.

As famigeradas ideologias são tentativas de encontrar a receita exata de redenção humana e suas sociedades. Esqueçam, já temos tempo e histórias suficientes para saber que nenhuma ideia contemplará todas as nuances de nossas necessidades e relações.

Por sua vez, ainda mais sórdidas, as religiões. Sob a aura da inconcebível vontade divina, homens corrompem homens com vistas ao nada. A diversidade é tal que é estúpido considerar que houve, em algum momento da nossa existência, algum recado objetivo do Criador. Alegar que o erro está na interpretação humana é colocar esse mesmo Criador num nível mais baixo que o nosso. Sim, quando nos é dada a oportunidade de mandarmos não permitimos que haja desvios. Submeter a tal mensagem divina aos desmandos humanos é de uma perversão tão grotesca que me espanto com esse mau uso do cérebro. Deus submetido ao homem. Como conseguem?

Contudo e apesar de tudo nos sujeitamos a todos os tipos de divisões em grupos. Nenhum problema se isso não fosse a condenação, segregação e expurgo do outro.

O problema é não aceitar o diferente. Não é ser gay, branco, baixo, rico ou de olhos azuis. O mal está em interferir no desejo do outro. E isso vemos de forma recorrente a cada segundo. Não se trata de apontar no que o outro está errado, mas na falta de razões para supor o erro.

Uma sociedade que entende o gay como ''safadeza'' não o olha como cidadão, por exemplo. Uma religião que insiste em dominar pela força os povos não olha para os demais como humanos livres. Um torcedor de time de futebol perdeu a visão do esporte, não enxerga mais sua beleza, não vê o atleta na grandeza de seu esforço caso não seja do ''seu'' time.

Onde está a clara superioridade branca e amarela sobre os negros? Ora, nas circunstâncias ao longo dos séculos. O frio, onde a alimentação é escassa e a caça mais complexa, moldou esses povos e fê-los desenvolver instrumentos mais eficazes e eficientes. Como um conhecimento leva a outro os brancos europeus cresceram em tecnologias. E isso é poder. Negros pouco produziram de tecnologias e no confronto os mais equipados sobressaíram-se.

Saída? Não, não há. Estamos apenas lidando com nosso instinto animal de grupo que, por milhares de anos, garantiu a sobrevivência na escassez de comida e nas agruras do clima. Ao final, findas as motivações do passado não nos adequamos à realidade presente. E há quem nem perceba seu próprio comportamento...

ANGELONI, O BLOQUEIO DE BENS E OS IMPOSTOS DEVIDOS

Do portal Engeplus: "Os donos de uma rede de supermercados da região Sul do Estado tiveram bens sequestrados como forma de garantir o ressarcimento ao erário em razão da sonegação de impostos no valor de mais de R$ 500 mil. A medida de sequestro de bens foi deferida pelo Juízo da Comarca de Criciúma, no dia 26 de outubro de 2016, atendendo o pedido da 6ª Promotoria de Justiça, especializada no combate à sonegação fiscal na região.
Ao todo foram sequestrados três veículos: um Mercedes Benz S500, ano 2014/2015; um VW Touareg, ano 2011/2011, e um BMW X5, ano 2014/2014. Com a medida, tais bens foram cadastrados no sistema RENAJUD, o que impossibilita a sua transferência."

Segue resposta dos acusados:
“Inicialmente, diante da notícia veiculada no site do Ministério Público na presente data, o Grupo A. Angeloni & Cia. Ltda. (“ANGELONI”) afirma que não teve a oportunidade de apresentar a real versão dos fatos. Nenhum representante legal ou advogado do ANGELONI foi contatado acerca da questão, antes desta inverídica publicação.
Não existe hoje qualquer débito fiscal em aberto das empresas do GRUPO ANGELONI. A empresa detém, ininterruptamente, sua certidão de regularidade fiscal expedida pelo Estado de Santa Catarina, a qual foi renovada pela Administração Catarinense no último dia 16.11.2016, o que comprova que todas as discussões fiscais encontram-se regularmente garantidas.
A discussão objeto da matéria ventilada também se encontra plenamente garantida e a ação ajuizada pelo Ministério Público busca uma segunda garantia para a mesma cobrança, o que é vedado pelo ordenamento jurídico e já foi objeto de recurso próprio pelo ANGELONI nas esferas competentes. 
Não é fidedigna a informação de que o GRUPO ANGELONI ostenta a condição de segundo maior devedor de ICMS do Estado de Santa Catarina, pois o critério adotado no levantamento realizado pela Fazenda Estadual desconsidera os valores dos créditos decorrentes das vitórias da empresa contra as cobranças indevidamente realizadas, o que desqualifica o número apresentado.   
E por fim, a afirmação de que teria havido sonegação de impostos é totalmente descabida, uma vez que não há decisão final em nenhum processo neste sentido. Diante da gravidade desta acusação, a empresa encaminhará notificação própria acerca do tema aos responsáveis por esta indevida informação.
O Grupo ANGELONI reafirma a lisura de sua operação e o cumprimento integral de suas obrigações fiscais e rechaça, veementemente, qualquer tentativa de cobrança de valores indevidos, que seguirão sendo regularmente discutidos pelos meios próprios.”

Estranho alegarem que seus representantes legais não foram contatados.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

EDUCAÇÃO VEM DE... TODOS OS LADOS

É lamentável ignorar a influência da escola na disciplina da convivência em grupo, na formação do cidadão, de suas ideias, de sua visão de mundo, de sua noção do que seja sociedade. Na escola a criança começa a perceber que há hierarquia e que terá que se submeter às regras, sejam boas ou ruins para si, inclusive às tácitas, aquelas que estão nas ruas, onde a Lei não tem vez. A família não abarca essa gama de coisas.

Achar que educação é coisa exclusiva da família é uma grosseria. Da mesma forma é tolice achar que professor não tenha que educar o aluno no sentido atribuído à família. Educa por ser adulto com alto grau de influência na vida das crianças. Educa porque é exemplo de postura e porque as crianças o admiram. Coisa que se perde com o tempo, na medida em que crescem e têm outros interesses. O professor pode e deve suscitar discussões e ensinar a pensar, a ter senso crítico.

Todos nós tivemos professores que nos inspiraram e outros que preferimos esquecer. A rigidez das regras é absolutamente necessária na vida de todos e o professor é parte disso.

Quais são as melhores escolas? As que exigem mais, as que têm regras rígidas. Isso é parte do processo educacional e essencial na formação de bons cidadãos. Escolas onde há frouxidão gera ignorantes e prejudica os que querem estudar. É na cobrança firme do desempenho que são forjados melhores profissionais. Ora, não há uma distância muito grande entre o professor e o patrão a exigir resultados.

Educação tem que vir de casa? Sim, tem. Mas jamais será sua única fonte e os profissionais da Educação querem isentar-se disso. Julgam que pais largam seus filhos na escola, como em depósitos. Bem, isso é resultado da legislação que os obriga. A escola deixou de ser local para os excelentes, para os que gostam dos estudos, para ser depósito. Agradeçam aos pedagogos e políticos por este problema.

"Lugar de criança é na escola." Muito bonita essa ideia. Contudo, depende do profissional entrar para a vida de professor sabendo da sua responsabilidade com o futuro. Ou é melhor ficar em casa.