sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O ESTADO É LAICO?

Dizer que o estado é laico e limitar-se a essa expressão é de uma restrição atroz. É ou não é? E o que seria, de fato, um Estado Laico?

Não podemos ignorar a influência da religião no comportamento e visão de mundo das pessoas e, portanto, na cultura. Da mesma forma que não podemos ignorar a influência da cultura nos poderes Executivos, Judiciário e nos legislativos. Em Criciúma leem a Bíblia para iniciar as sessões da Câmara de Vereadores. Na Câmara dos Deputados e Senado vê-se louvações a religiosos, por exemplo. As religiões são isentas de impostos federais, coisa que me parece um absurdo às igrejas cristãs se lermos o que seu próprio Deus diz: "Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus." (Mateus 22:21).

Mas, tecnicamente, tem-se a laicidade do Estado como o não impedimento da liberdade religiosa e de não termos uma religião oficial descrita na Constituição. Contudo, temos uma religião oficial na cultura, onde desdenhar Jesus é ofensa gravíssima. Sequer é dado o respeito ao direito de ''não crer'' (que deveria estar na Constituição, em seu artigo 5º).

Vamos além. Os prédios católicos antigos, centenários, bem como suas imagens de culto, são alvo do cuidado do Estado por serem patrimônios histórico/culturais. Ora, vê-se nisso o quanto a influência é mútua.

Florianópolis: catedral recebe recursos públicos para manutenção. 

Poderia o poder público simplesmente virar as costas para tudo que envolve o afluxo de pessoas em Aparecida só por ser algo religioso? E as romarias para Santa Paulina? Recentemente a prefeitura de Içara anunciou pavimentação de rodovia com vistas ao fortalecimento do turismo religioso, dando acesso ao que os católicos descrevem como ''santuário''. Religião move a economia e, portanto, é dever do poder público dar-lhe atenção.

As obras religiosas de Aleijadinho são referência em turismo.

POLÊMICAS

A discussão do aborto consegue distanciar-se da religião? Não. E isso tem relação direta com decisões que são tomadas, ou que virão a ser, pelo Legislativo.

Não existe distância entre governos, povo e religião. Estão de tal forma envolvidos que a ideia de ''Estado Laico'' se perde em meras discussões. Exemplo disso se deu pela retirada de crucifixos de espaços públicos. Ora, isso jamais poderia gerar discussão alguma. Mas gera!

Por fim, ou aceitamos essa relação, por mais condenável que seja, ou perderemos tempo com quirelas.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

MARISA, PT E LAVA-JATO



Quem fez da morte de D. Marisa, mulher de Lula, resultado da pressão da Lava-Jato, foram petistas. Dentre eles o colunista da Folha, Leonardo Sakamoto, o ''jornalista" Paulo Henrique Amorin (VÍDEO), e Leonardo Boff, o Frei. Um desatino absurdo.

Ora, diante de tamanha insensatez os absurdos do outro lado, com desprezo à morte dela, ficaram pequenos. A coisa é bem simples: caso a relação seja verdadeira a única coisa a ser comentada é que Lula não pensou na saúde emocional de sua família ao enlameá-la em tamanha corrupção.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

FUTEBOL BRASILEIRO, O PIOR

Sim, nosso futebol é um dos piores do mundo dentro e fora de campo. Digo isso porque o Brasil foi tido como o ''país do futebol''. Ora, se chegou a este status e não evoluiu é porque dirigentes e atletas são muito ruins. Só temos um Penta porque nossa seleção é composta por jogadores com experiência internacional.

Até o Tri de 1970 o nivelamento era outro. O mundo mudou! Uma das provas está na pesquisa publicada pela IstoÉ. "O futebol tem atualmente um grupo de 20 clubes "globais", que atraem torcedores de todo o planeta e somam uma receita que cresce significativamente ano a ano. Levantamento da consultoria Deloitte indica que essa elite do futebol mundial movimentou, apenas na temporada passada, 7,4 bilhões de euros (cerca de R$ 25,4 bilhões), um volume inédito de dinheiro." diz a matéria que você lê na íntegra AQUI.

A riqueza financeira de um clube traduz a percepção do torcedor da beleza do espetáculo. Em minha casa, nos raros momentos em que assistimos alguma partida, o fazemos dos campeonatos europeus. Afinal, se quero ver um jogo, quero o que tenha os melhores atores, que seja realmente um show.

Perdemos o time e nossos clubes conseguiram apenas serem devedores de impostos, com pouco público nos estádios (e não é culpa do valor do ingresso!) e discussões etílicas nos bares.

Confira os 20 clubes mais ricos do mundo:
1.º - Manchester United (R$ 2,370 bilhões)
2.º - Barcelona (R$ 2,133 bilhões)
3.º - Real Madrid (R$ 2,132 bilhões)
4.º - Bayern de Munique (R$ 2,036 bilhões)
5.º - Manchester City (R$ 1,805 bilhão)
6.º - Paris Saint-Germain (R$ 1,791 bilhão)
7.º - Arsenal (R$ 1,611 bilhão)
8.º - Chelsea (R$ 1,539 bilhão)
9.º - Liverpool (R$ 1,389 bilhão)
10.º - Juventus (R$ 1,173 bilhão)
11.º - Borussia Dortmund (R$ 976,6 milhões)
12.º - Tottenham (R$ 962,1 milhões)
13.º - Atlético de Madrid (R$ 786,3 milhões)
14.º - Schalke 04 (R$ 772,2 milhões)
15.º - Roma (R$ 750,6 milhões)
16.º - Milan (R$ 738,54 milhões)
17.º - Zenit St.Petersburg (R$ 675,9 milhões)
18.º - West Ham (R$ 661,5 milhões)
19.º - Internazionale (R$ 616,4 milhões)
20.º - Leicester City (R$ 592 milhões)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

TELEFONES DOS VEREADORES DE CRICIÚMA

Ademir Honorato (PMDB) 99102-9766
Aldinei Poteleck (PRB) 99184-8955
Allison Pires (PSDB) 99113-5982
Antonio Manoel (PMDB) 99142-9728

Camila Nascimento (PSD) 99144-6014

Dailto Feuser (PSDB) 99117-9973
Daniel Freitas (PP) 99172-3371

Geovana Zanette (PSDB) 99188-6113

Jair Alexandre (PSC) 99136-9658
Júlio Cesar Kaminski (PSDB) 99113-3155
Julio Colombo (PSB) 99904-0579 - Presidente

Miri Dagostim (PP) 99186-6570
Moacir Dajori (PSDB) 99186-7894

Paulo Ferrarezi (PMDB) 99172-9834

Salesio Lima (PSD) 99159-2103

Tita Beloli (PMDB) 99172-0941

Zairo Casagrande (PSD) 99165-9314

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

PRESÍDIOS OU ESCOLAS? OU: DARCY RIBEIRO VS GARY BECKER



Por João Luiz Mauad, publicado pelo Instituto Liberal

Tem feito grande sucesso nas redes sociais e na mídia esquerdista em geral uma frase (considerada por eles) profética do antropólogo Darcy Ribeiro: “Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. Tal afirmação, feita em 1982, em plena campanha do então candidato Leonel Brizola ao governo do Estado do Rio de Janeiro, resumia a plataforma de governo brizolista, com foco na construção de CIEPs e na escola em tempo integral.



Para os defensores dessa “verdade”, quanto mais crianças e jovens na escola, menores seriam os índices de criminalidade. O problema é que, passados 35 anos, e a despeito do imenso déficit de presídios no país, a realidade teima em não confirmar a teoria. Pelas estatísticas disponíveis, enquanto o número de crianças matriculadas no ensino fundamental e médio não parou de crescer nas últimas décadas, chegando à taxa de 97,5% em 2014, os números da segurança pública vêm se deteriorando ao longo do mesmo período, chegando ao ponto em que se matou mais gente no Brasil entre 2011 e 2015 do que na guerra da Síria.

O Brasil sustenta o triste estigma de ser atualmente o país com maior número absoluto de homicídios do mundo. Proporcionalmente, também ocupa as primeiras posições do ranking. De acordo com parâmetros internacionais, considera-se que um país sofre violência endêmica a partir de uma taxa de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes. No Brasil, a média é de 26 por 100 mil. Em alguns estados, o índice chega a alarmantes 60 assassinatos por 100 mil pessoas.



Esses dados demonstram não apenas que não existe relação de causalidade entre as duas variáveis, mas que sequer encontramos uma correlação negativa entre elas. Por óbvio, não se está dizendo aqui que não é imperioso melhorar a educação no país – péssima sob qualquer padrão de avaliação -, mas sim que a construção de escolas não é solução para o problema da criminalidade, nem tampouco da baixa qualidade da nossa educação, como pretendem alguns.

A solução, ou pelo menos a redução desses números terríveis, segundo quem entende do assunto, passa necessariamente pela redução dos índices de impunidade no país, segundo os quais, de cada cem homicídios cometidos, mais de 90 não são sequer investigados, e apenas de 5% a 8% dos assassinos são efetivamente punidos. Por outro lado, devido à crônica falta de vagas nas prisões, cada vez mais criminosos presos em flagrante pela polícia deixam de ser apenados pela justiça.

Em seu famoso trabalho, “Crime and Punishment: An Economic Aproach”, devidamente citado pela Real Academia Sueca de Ciências quando lhe concedeu o Prêmio Nobel de Economia, em 1992, Gary Becker demonstrou – contrariamente à abordagem usual de sociólogos e criminologistas – que os bandidos, ou pelo menos a grande maioria deles, são atores racionais, os quais procuram maximizar a utilidade de suas ações, de acordo com cálculos subjetivos de custo-benefício. Em outras palavras, longe de serem agentes irracionais, cujo comportamento não tenderia a seguir padrões sistemáticos, Becker propôs que os criminosos são exatamente como os outros agentes que encontramos na teoria econômica padrão.

A “teoria da escolha racional” pelos criminosos invoca conclusões interessantes. Uma das idéias mais simples, porém mais profundas, da abordagem pioneira de Becker é que o “custo” que um criminoso enfrenta é determinado pelo punição que ele espera enfrentar, representado pela probabilidade de ser apanhado multiplicada pela “desutilidade” subjetiva do castigo que lhe será imposto.

Dessa forma, medidas que aumentam as punições previstas – como multas monetárias mais elevadas e prazos mais longos de prisão – aliadas à maior probabilidade de que sejam presos e condenados aumentarão esse “custo”, até o ponto em que os criminosos em potencial substituirão o crime por outras atividades (legais).

Portanto, ao contrário do que pensava Darcy Ribeiro, é mais provável que a redução dos índices de impunidade – inclusive com mais prisões e redução da maioridade penal – leve mais jovens para a escola (atividade legal) do que esta evite o caminho do crime.

Afirmar que a melhor maneira de combater o crime é através da construção de escolas, da extirpação da pobreza ou das desigualdades é não somente atribuir à criminalidade uma causa que o exame dos fatos não corrobora, mas, sobretudo, impedir quaisquer reações práticas e urgentes. Enfim, subordinar as políticas de segurança pública ao advento de um universo utópico, socialmente perfeito e igualitário, nos induz a esperar, inertes, pelo fim do mundo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PERGUNTAS SEM FÉ PARA RESPONDE-LAS

Te agradeço imensamente a disposição de ler tão mal traçadas linhas.

Para começar uma observação.

Na criação do homem (Gênesis) Deus o fez sem aparelho reprodutor. Talvez sem o próprio pênis. Sim, Ele o fez para viver só. Então não havia necessidade de testículos e próstata, por exemplo. Eis que, de forma surpreendente, o Soberano percebeu que tinha errado. Ele percebe que os animais em pares estavam melhores que o homem só. A mulher é, assim, criada a partir da necessidade do homem: “Não é bom que o homem esteja só”. Enfim, Deus não tinha pensado na mulher quando planejou este mundo. E também não tinha planejado que houvesse humanidade, civilização, povos e todo e qualquer ajuntamento de pessoas. As religiões são, portanto, resultado de um remendo divino, não de Seu plano original. Por fim, ‘’conhecer o bem e o mal’’ é uma punição à desobediência do casal, quando deveria ser a virtude. Mais uma do plano original, sermos como bestas, sem capacidade de análise e sem livre arbítrio. Sem contar que não houve chance do arrependimento. A hereditariedade da punição é algo espantoso, não achas?

Sigamos, pois!

Interessante que na Lei se o marido morresse sem filhos seu irmão deveria transar com a cunhada até que gerasse um descendente para o falecido. Em a mulher morrendo nada em relação a perpetuar-se. O Deus judaico/cristão teve essa maravilhosa ideia para depois decidir que temos alma e não precisamos de filhos para nos perpetuarmos. Ou seja, mudou o método e o quê salvar, incluindo a mulher (subentende-se, ao menos).
- Como você entende o fato de na Torah (Pentateuco na tradução Vulgata) não haver Céu, nem Inferno, e a perpetuação do fiel se dá tendo filhos?
- Notaste que as mulheres não tinham esse privilégio?

Há coisas interessantes a serem observadas. Por exemplo, em 2 Timóteo 3:16 diz "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça". E, mais, este verso refere-se ao VT o qual classifica a mulher como impura por 33 dias se der à luz homem e 66 dias impura se mulher. Ora, você contaminou sua mãe o dobro que eu à minha. Na mesma linha o rei Davi fala “Lâmpada para os meus pés...”, referindo-se ao que dispunha: somente a Lei mosaica.
- Afinal, quem determina, e como, a parte a ser seguida desse livro?
- Se o NT remete ao poder do VT, porque não o sigamos por completo?
- Ora, se a Bíblia (toda) é apta para tudo isso, porque orar e depender do Espírito Santo?

Fé e Revelação. A fé é tão pessoal que posso crer que, de fato, o que me ocorreu é a mais absoluta verdade sem sê-lo. Assim se sustentam as mais variadas crenças. Krishna é cultuado há mais de 5 mil anos. E alguma coisa de bom deve haver nisso, senão o povo já teria descartado-o.
- Como a verdade divina pode ser submetida a impressões pessoais?
- Resta alguma dúvida que há limitações cognitivas para entender-se um texto? Um ser com deficiência mental ou Síndrome de Down fica como? Sem falar dos analfabetos...
- Um analfabeto funcional entenderá perfeitamente a Bíblia?
- Como terei certeza de que o que veio à minha mente, depois de orar e pedir que o ES me ilumine, é a verdade?

- A Bíblia é suficiente em si mesma?
- Não dependo de informações externas para entende-la?

Vamos ao exemplo de Enoque. De tão correto foi arrebatado. Não dispunha de nenhum livro, não tinha a Lei e muito menos uma religião formatada para orienta-lo.
- Eu poderia me salvar sem saber de nada da Bíblia?

Se dependemos apenas de fé, oração e deixar o Espírito Santo falar...
- Por que de reuniões nas quais outros seres humanos interpretam os textos e ensinam?
- Na tua igreja há espaço para quem não quer guardar o Sábado?

Tendo em vista que você, Manuela, provavelmente creria em Shiva e Ganesh, se nascesse na Índia, ou em Alá, se nascesse na Palestina, você crê em Jesus porque nasceu num país eminentemente cristão. Pela tua lógica Ele não falará comigo antes da fé e o ES também não me revelará nada.
- Supondo que eu não tenha a tal fé. Como tê-la?
- Você tem fé ou acostumou-se à ideia que te foi apresentada?

Um fato, ao vermos o mapa geopolítico das religiões, que TODAS cresceram e se fortaleceram porque tinham ao seu lado o poder bélico do Estado. Uma das maiores expansões do cristianismo na Europa se deu com Carlos Magno, que reinou 768 a 28 de janeiro de 814 (morte), através do uso da espada, e quem não se convertesse morria. Na Constituição do Império Dom Pedro II tinha que defender o cristianismo católico. A Constituição da Argentina, ainda hoje, tem no catolicismo a religião oficial.
- Você notou que todas as religiões, inclusive o cristianismo, precisaram do poder do Estado para crescer?
- Você, nem ninguém, pode falar abertamente de Jesus no Paquistão. O poder de Jeová não está acima da Lei humana?

O que me chama a atenção é que a Bíblia que temos foi escolha de bispos no Concílio de Nicéa, ano 325 dC, sob convocação do imperador Constantino. Os mesmos que determinaram o exílio e morte de quem pensava diferente deles. Sim, é razoável pensar sobre o risco que Deus correu ao dar o livre arbítrio ao homem e dele depender como filtro para escrever, compilar, conservar os manuscritos e traduzir Sua verdade. Ao acreditar na Bíblia também tenho que depositar absoluta confiança em homens que, sequer conheci, em todo esse processo. “Maldito o homem que confia no homem...”
- Como saber que o que restou (o NT), diante de centenas de textos da época, é o que Deus queria?
- Tinham o livre arbítrio para escolher?
- Notaste os textos no NT que mandam aceitar o poder terreno sem questionamentos? Muito apropriado a um imperador...

E essa dependência da fé... Daí alguém diverge do teu pensamento, ou da tua igreja, e não teve a fé necessária para entender tudo porque TU TENS A FÉ VERDADEIRA. Que razão há para não supor o contrário? Por exemplo, a forma correta de entender a Bíblia pode ser dos Testemunhas de Jeová. Ou, pior, o Alcorão é o caminho e você foi enganada.
- Afinal, como poderemos saber se o Espírito Santo não teria revelado a eles?

No Grego Koiné há tempos verbais como o Aoristo e três tipos de gerúndio que são intraduzíveis para nosso idioma. Há ainda quatro tipos de preposições “em” (em cima, à volta, em baixo, dentro) e dois tipos de “não”, um “não”não permitindo em hipótese alguma e o outro estabelecendo a possibilidade do sim. (Ex.: “Não julgueis para que não sejais julgados”. Sabes que “não” é esse?). No caso do Hebraico (sem as vogais) e Aramaico são ainda mais complexos.
- Posso confiar na tradução para o Português? Ela também foi inspirada pelo ES?
- E como ficam as partes intraduzíveis?

Jesus não deixou um texto sequer. O único que diz ter feito pesquisas foi Lucas, o médico. Os manuscritos mais antigos, com razoável conservação, datam de mais de 125 anos após os fatos descritos. O apóstolo Paulo, por exemplo, sequer dispôs dos evangelhos como os conhecemos. Nem João na ilha de Patmos. Ou seja, só temos cópias de cópias de cópias... Além do mais difícil: até Guttenberg inventar a imprensa em 1513, os textos eram para uns pouquíssimos, inacessíveis. E SÓ SE POPULARIZOU EM MEADOS DO SÉCULO 20. Que Deus estranho que não optou por revelar tudo individualmente, sem deixar dúvidas. Preferiu terceirizar.
- Como fica o que disseste “que devemos estudar as escrituras por nós mesmos. Quem quer a verdade deve pedir ao Pai (com fé) e obterá como está escrito...” sem ter acesso ao texto como muitas culturas que ainda não tiveram tradução?
- Se Lucas fez pesquisa não foi inspirado?
- O mesmo “poder” que os fez chagar até nós em fragmentos e cópias de cópias, não poderia tê-lo feito em absoluto estado de conservação, mantendo exatamente os originais e não permitido que surgissem os tais apócrifos?

Ora, estou vivendo minha vidinha, nada sei de Jesus, desconheço a existência da Bíblia, e Ele não pode falar comigo porque não tenho a fé e nunca ouvi que precisava ter a tal fé... (desculpe, neste ponto meu nível de ironia está bem elevado)
- Em sendo Deus absoluto, sem limitações, o que o impede de dizer a nós o que quer sem ao menos crermos que seja possível?
- Se Ele depende de nossa fé para nos dizer algo, significa que a descrença é uma barreira para Ele. O teu Deus tem barreiras?
- Passei minha vida sabendo apenas do Deus errado porque o mundo onde nasci desconhece o verdadeiro. Serei culpado por isso?

Imagino que Deus seja absoluto em si mesmo, bastando-se a si mesmo, ou, suponho, não seria Deus. Em havendo alguma vontade haverá igualmente alguma carência. Se Deus tem vontade tem carência, precisa do objeto de sua vontade para que se sinta satisfeito. A existência de bíblias e seus intérpretes é para mim a terceirização daquilo que ele quer: fazer sua verdade chegar ao homem. O que lhe impede (e a minha falta de fé não pode ser barreira ao Todo Poderoso, ou não será Todo Poderoso) de dizer exatamente o que quer a todos os seres humanos, em todos os lugares e em todos os tempos? Ele não fez nada disso até o momento...
- Assim, como imaginar que Ele, absoluto e de nada carente, precisa de intermediários para se aproximar do homem que ELE criou?
- O uso de intermediários foi uma decisão Dele, tanto que se aproximou de alguns. Então quem se afastou de quem?
- Como você vê o fato de Deus precisar de meios humanos para nos falar?

Deus nos criou para quê? Para sua glória? Volta o ponto de não ser carente de nada. Para nos sujarmos neste mundo e, assim, poder nos salvar? Estranho! Lembre-se que o plano original era de apenas um humano, Adão.

Vamos ao todo do processo divino segundo a Bíblia:

1. Criou apenas um ser humano, Adão.

2. Criou uma árvore como tropeço (poderia não fazê-lo);

3. Expulsou sem direito ao arrependimento;

4. Tornou a condenação hereditária indefinidamente;

5. Criou um povo, excluindo os demais de terem uma relação com Ele;

6. Resolveu falar com uns poucos selecionados para que estes falassem aos demais;

7. Criou um sistema de leis que não deu certo e enviou um Salvador (o meio atrapalhou o fim?);

8. Criou um novo compêndio de textos selecionados por homens;

9. Mas estes textos precisam que o ES atue para interpreta-los. Atuação restrita à atividade mental do indivíduo;

10. Você precisa pedir a Ele que te revele o que escreveu no livro. Ou seja, o livro por si só não ensina o caminho;

11. Sua ‘’verdade” é entregue em gotas, paulatinamente, ao longo de séculos e necessita da edição constante de novos livros para tornar este seu livro acessível;

12. Esse salvador depende de humanos para ser conhecido e leva 1.500 anos para chegar à América, por exemplo, e quando chega é através do catolicismo e demora mais 400 anos para que protestantes atuem efetivamente no Brasil;

13. Protestantes queimam mulheres acusadas de bruxaria nos EUA no século 18 e deixam de fazê-lo porque a Lei humana os impede (exemplo de fé);

14. O livro, com este salvador, depende de instituições humanas para ser preservado, traduzido, impresso e distribuído, mesmo que não haja qualquer orientação para tal em seu próprio livro;

15. Se Jesus entregou sua mensagem apenas oralmente, por que sua retransmissão deve ser impressa e ainda gera divergências? E, por gerar divergências, a fé (ato pessoal e intransferível) torna-se insipiente como resposta.



sábado, 31 de dezembro de 2016

DE PAI PARA FILHA

No ano em que a Dassoler Contabilidade completou 35 anos passou à segunda geração. Fundada em 1981 por Cloir Da Soller, a partir deste ano, a empresa passou em definitivo às mãos de sua filha, Keli Lima Da Soller. Formada em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Ciências Contábeis pela UFSC e Unisul, Keli atuou em todos os setores da contabilidade desde 2011 para entende-los no dia-a-dia e superou desafios dentro e fora do escritório em Criciúma.
Sua determinação, fruto de personalidade forte, fez com que, não somente superasse os desafios impostos pela idade, conquistasse respeito de clientes e colegas de trabalho.
A seguir um pouco da visão da empresária e sua experiência.



Quais dificuldades você encontrou ao assumir o escritório?
Senti alguma dificuldade diante dos clientes pelo pouco conhecimento que têm em gestão. Tive que remodelar o escritório criando um documento para as rotinas, de protocolos ao atendimento. A equipe é maravilhosa e recebeu-me muito bem. Sou grata a todos!

E o fato de ser mulher e jovem diante do mercado?
A maioria dos clientes me recebeu muito bem, sem qualquer empecilho. Porém, vou ser sincera, em relação a alguns houve restrições. Mais pela idade. Quando cheguei tinha apenas 26 anos. Então, houve quem pensasse “Como assim, uma menininha vai dizer como tenho que trabalhar?”. Aos poucos fui conquistando-os com o auxílio do meu pai. Hoje a maioria telefona diretamente pra mim.



Teu pai tem muita experiência em contabilidade. Como é tua relação com ele?
Meu pai tem cerca de 40 anos de profissão. Por isso, no início, ele teve que se adaptar mais a mim do que eu a ele. Aprendi muito com ele, pois tem muito conhecimento. Mesmo assim eu trouxe coisas novas porque também trabalhei num escritório de advocacia em Florianópolis, onde já havia a setorização do trabalho, tudo definido por programação e sistemas informatizados, por exemplo. Assim, fizemos juntos uma série de atualizações.

Qual a tua visão do momento econômico do país e das políticas públicas do governo?
Muitos empresários não se prepararam para estas dificuldades. Nós vínhamos alertando nossos clientes há três ou quatro anos. Estava claro que o bom momento era temporário. Infelizmente a política econômica do governo Dilma foi voltada para o populismo, para o crédito fácil, o povo se endividou e a conta chegou. Não tivemos um desenvolvimento da nossa indústria, nem da nossa infraestrutura. Estamos num momento muito ruim e que tende a se alongar pelo próximo ano. Se tudo der certo começará a melhorar no primeiro ou segundo semestre de 2018.

E o governo Temer...
Do Temer eu esperava mais atitude. Quando ele entrou o mercado reagiu bem. Teve até uma certa euforia. Infelizmente não temos políticos que pensem em livre mercado, nem em uma abertura maior. Vai continuar esse populismo. A menos que surja alguém que trabalhe melhor a política de mercado. Hoje ainda temos muito protecionismo para grandes empresas e conglomerados. Enfim, muita regulação do mercado.

Como ficam as micro e pequenas empresas?
O pequeno, o empresário de microempresa, não tem como sobreviver. Não tem como cumprir toda a carga tributária. Não tem como cumprir suas obrigações acessórias. Não tem metade dos benefícios que as grandes empresas têm. O nosso capitalismo só beneficia os grandes conglomerados.

O que se pode esperar para 2017?
Os meus votos são de que estabilize. Que tenhamos um período de estabilidade política, que está faltando para este país. E posteriormente a econômica. Antes da estabilidade política, de cessar essa bagunça em Brasília, não teremos melhoras na economia. Que investidor acredita no Brasil? O problema do Brasil é muito mais político que econômico.