segunda-feira, 21 de março de 2011

PORQUE SOU AGNÓSTICO (3)

Nos textos anteriores tratei da inconfiabilidade da fé como sendo pessoal e intransferível. A humanidade já deu provas mais que suficientes de que pode acreditar em qualquer coisa, até na inexistência de deus. Também considerei a impossibilidade, mesmo que de forma resumida, de ter nos textos sagrados e demais expressões religiosas, verdades. A única verdade, por assim dizer, é que as expressões são limitadas no tempo e espaço e, portanto, incompatíveis com algo vindo de deus. Enfim, se ele tivesse algo a dizer aos homens diria a cada um e sempre a mesma coisa a todos.

Em momento algum disse, nem pretendo dizer, que deus não existe. Considero até uma tolice esse tipo de discussão. Apenas assumo que dele nada sei e tenho como certo que não há ser humano que saiba.

Os argumentos dos crentes por aí são basicamente:
  • A natureza fala de deus. Sim, com certeza. Porém, fala apenas que ele existe. Não dá nome, tampouco diretrizes e menos ainda alguma forma de culto, ou coisa que o valha. 
  • Deus fala comigo, mas eu não o ouço. Isso coloca minha incapacidade de ouvir acima da capacidade de deus de fazer-se ouvir. Tenho, assim, mais poder. Além disso, limitam, com esse argumento, a capacidade dele, seu poder. 
  • Preciso de fé para entendê-lo. Ora, se eu tiver fé passo a ser crente, como já fui. Na condição em que estou é preciso que ele se faça entender mesmo com a minha incredulidade. 
  • Por fim, dizem-me que um dia ele vai revelar sua vontade para mim. O caso não chega a ser eu, mas a humanidade. Se até a presente data perpetua-se a confusão que se vê, que interesse deus teria em me dizer a verdade sem que diga a todos indistintamente? Isso me colocaria como mais um e ainda assim eu ficaria me perguntando: por que eu? Que privilégio! Os demais não merecem tal tratamento? 

A conclusão a que cheguei é que não há a menor, mínima sequer, possibilidade de comunicação entre deus e homens porque ele não o deseja.

Evidentemente, a nossa natureza inquieta fez surgir toda a sorte de explicações e respostas que encontram toda a sorte de crédulos. Ao contrário do que fazem os crentes nessa ou naquela crença não tenho pretensão alguma de convencer outros dos meus arrazoados.

Mais que encontrar a verdade quero identificar mentiras, mesmo que as mais bem intencionadas.

E por que as igrejas estão cheias? Sobre isso escrevo no próximo texto.

É isso!

Abraço do André, um agnóstico.

Um comentário:

  1. Ateu agnóstico, André. Certamente essa é a sua definição existencial. Admiro sua leitura, e dela me preencho para saber que não estou sozinho nos meus pensamentos e me completo nesta lista alfabética:

    A ndré Roldão (Aldous Huxley)
    B ill Gates
    C hico Buarque
    D ercy Gonçalves
    E dson Celulari
    F ernando Henrique Cardoso
    G raciliano Ramos
    H arold Rubin
    I vonilson Magalhães
    J ack Nicholson
    K arl Marx
    L ima Duarte
    N ando Reis
    O scar Niemeyer
    P ablo Neruda
    Q uentin Smith
    R enato Russo
    S elton Mello
    T homas Alva Edison
    U mberto Eco
    V inicius de Moraes
    W oody Allen
    X enófanes
    Y ves Passarell
    Z iraldo

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